Evento reúne 40 países para tratar de sociobiodiversidade e direitos dos povos indígenas

Palestra com o pesquisador Charles Clement, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), marca o lançamento, nesta quinta-feira (21), de um dos maiores eventos de sociobiodiversidade do mundo, o Belém+30, que ocorrerá entre 7 e 10 de agosto, na capital paraense.      

Nesta quinta-feira (21), será realizado, no Centro de Eventos Bendito Nunes, na Universidade Federal do Pará, o lançamento do Belém + 30, congresso nos moldes do Fórum Social Mundial, que reunirá participantes de diversos lugares do mundo, incluindo povos indígenas de vários países, quilombolas e demais integrantes de populações tradicionais. Cerca de duas mil pessoas são esperadas para o evento, a maioria vinda de outros estados brasileiros e países participantes.

O lançamento será uma mostra da grandiosidade do evento que reúne o XVI Congresso Internacional de Etnobiologia, o XII Simpósio Brasileiro de Etnobiologia e Etnoecologia, a IX Feira Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação e a I Feira Mundial da Sociobiodiversidade. Haverá apresentação de grupos culturais quilombolas, música, dança, presença de líderes indígenas e experimentos de ciência. Além de reitores e dirigentes de instituições de ensino e pesquisa da região, estarão presentes representantes da Sociedade Internacional de Etnobiologia, sediada nos Estados Unidos.

O congresso mistura conhecimentos tradicionais e científicos e terá a participação de várias instituições de ensino e pesquisa da região, sob a coordenação da Universidade Federal do Paráe do Museu Paraense Emílio Goeldi.

30 anos depois – A programação de lançamento inclui a palestra “Belém, Biodiversidade, Direitos Indígenas: 30 anos depois”, que será proferida pelo pesquisador Charles Clement, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Ele participou da primeira edição do Congresso Internacional de Etnobiologia, realizada na capital paraense em 1988. Assim, ajudou na concepção e elaboração da Declaração de Belém, pensada por pesquisadores das ciências sociais e naturais, ambientalistas e representantes indígenas de 25 países que na época marcaram presença no congresso. Hoje, a Declaração de Belém norteia o trabalho dos pesquisadores em relação à garantia dos direitos de povos indígenas e comunidades tradicionais.

“A Declaração de Belém, inclusive, teve influência em alguns artigos da Convenção da Diversidade Biológica, um documento, que muitos países assinaram, sobre essa questão dos direitos dos povos tradicionais. Portanto, a declaração é uma espécie de regimento a ser seguido e a ser observado com afinco pelos pesquisadores. A gente sabe que as leis, hoje, estão cada vez mais sendo reformatadas no sentido de condicionar essas comunidades tradicionais que são detentoras desse conhecimento sobre a biodiversidade”, afirma o professor e pesquisador da UFPA, Flávio Barros, da Comissão Organizadora do Belém+30.

Temática – O Belém+30 vai ser realizado de 7 a 10 de agosto, no Hangar Centro de Convenções da Amazônia, na capital paraense. Mais de 40 países já confirmaram presença. Com o tema central “Belém +30: os direitos dos povos indígenas e as populações tradicionais e o uso sustentável da biodiversidade, três décadas após a Declaração de Belém”, o principal objetivo do evento é refletir sobre as conquistas e os desafios da carta de Belém, 30 anos depois do primeiro encontro internacional de Etnobiologia.
Para o professor Flávio Barros, hoje a biodiversidade gera na geopolítica global muitos conflitos de interesse. “Por um lado, tem o grande capital, o agronegócio ou as grandes empresas querendo se apropriar de maneira capitalizada da biodiversidade, para uma perspectiva de lucro. Por outro lado, temos as comunidades tradicionais, os agricultores, os povos indígenas que mantém outro tipo de relação com a natureza. É uma biodiversidade que é útil à reprodução da vida, tanto no campo material como simbólico. E essa biodiversidade tem o objetivo principal de trazer o bem viver para essas pessoas.”

Programação Belém+30 – Durante os quatro dias oficiais do evento, em Belém, o público vai participar de palestras, sessões acadêmicas, mesas de trabalho, sessão de pôsteres, minicursos e uma extensa programação artístico-cultural com apresentações de carimbó, lundu, marujada, guitarrada, capoeira, tambor de crioula, cordão de pássaros, bois, entre outras manifestações. O objetivo é proporcionar o intercâmbio e o fortalecimento da identidade cultural, a partir da diversidade dos grupos étnicos de várias partes do planeta e que estarão presentes no Belém+30. Entre as principais atrações do encontro, destaca-se também a primeira feira mundial só com produtos da sociobiodiversidade. A intenção é promover a produção familiar e a forma como as comunidades se relacionam com a floresta para a obtenção de seus patrimônios, sejam alimentares, material ou imaterial.

O evento é promovido pela Sociedade Internacional de Etnobiologia (ISE) e a Sociedade Brasileira de Etnobiologia e Etnoecologia (SBEE). Em Belém, a organização é da Universidade Federal do Pará (UFPA), Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (Fadesp), em parceria com diversas outras instituições de ensino e pesquisa da região, incluindo a Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Educação Profissional e Tecnológica (Sectet), a Universidade Estadual do Pará (UEPA) e a Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA).

Serviço | Lançamento Belém+30
Data: 21 de junho de 2018
Hora: 9h
Local: Centro de Eventos Benedito Nunes da UFPA
Entrada franca e sem necessidade de inscrição

Agência Museu Goeldi

 

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