Análises de solos em castanhais da Amazônia é tema de workshop no Amapá

A Embrapa Amapá realizou um workshop para integrar os dados de solos coletados em áreas de castanhais localizados em sete estados da Amazônia Legal: Acre, Amazonas, Amapá, Mato Grosso, Pará, Roraima e Rondônia. Durante o evento, realizado de 5 a 8 de junho, em Macapá (AP), os participantes utilizaram o programa estatístico, a linguagem de marcação de texto “R-markdown”, entre outras ferramentas para integrar e analisar os dados em uma única base.

Esta atividade faz parte do Projeto MapCast (Mapeamento de castanhais nativos, caracterização socioambiental e econômica de sistemas de produção da castanha-do-brasil na Amazônia), liderado pela Embrapa Amazônia Ocidental (Amazonas), com atividades locais nos Estados citados. A Embrapa Amapá é responsável pela coordenação das análises que utilizam métodos estatísticos visando a caracterização, associação e regionalização de variáveis de solos, buscando identificar as relações entre as variáveis de solos com a ocorrência e produção de frutos de castanheiras. 

O pesquisador da Embrapa Amapá, Marcelino Guedes, destacou que, um dos resultados parciais do projeto demonstra a variedade de solos em áreas de ocorrência de castanhais no Amapá. “Constatamos que existe uma grande abrangência de solos com áreas de castanheiras, diferente do que se pensava, inclusive no Amapá, onde temos castanhais até em solo de cerrado com ocorrência de muito cascalho. A literatura clássica faz referência à castanheira como uma espécie que só ocorre em solos muito argiloso, e agora encontramos resultados para atualizar esta informação. O foco da pesquisa no Amapá abrange áreas da Reserva Extrativista do Rio Cajari (Resex-CA) onde já foram mapeamos mais de 300 castanhais e 70 mil castanheiras. 

A líder do projeto MapCast, pesquisadora Kátia Emídio da Silva, explicou que o principal objetivo deste workshop foi consolidar uma parte do conjunto de dados do projeto, relacionando solos com produção e ocorrências de castanheiras. “Estamos na fase de finalização do projeto, e neste momento em especial, de analisar os dados produzindo resultados que contribuam para ampliação do conhecimento sobre os castanhais e para políticas públicas relacionadas à castanha-da-amazônia. Estamos analisando os dados de solos de áreas de castanheiras com os dados de produção. Em alguns estados estas informações estão disponíveis, devido a estudos anteriores ao projeto, mas onde ainda não temos informação da produção das castanheiras, partimos para analisar a variável dos solos com a ocorrência das castanheiras, ou seja, a distribuição delas ao longo das parcelas permanentes instaladas em cada estado”, ressaltou a pesquisadora. Por meio do MapCast, a equipe técnica realiza o inventário das castanheiras com localização georref
erenciada, amostragem sistemática do solo, monitoramento da produção, estudos ecológicos, dentre outros. 

Um dos objetivos do workshop foi treinar os participantes em análises de dados, usando técnicas de geoestatística, com destaque para a metodologia “Random Forest” e o uso do “R markdown” no ambiente do software livre “R”, que ganha cada vez mais adesão de pesquisadores em vários países do mundo. Novas abordagens de análises de dados também foram utilizadas. O professor Gerson Rodrigues, da Universidade Federal de Viçosa, foi o instrutor neste workshop. “O mundo se rendeu ao software livre, e entre eles está o R, um programa gratuito e de infinitas possiblidades, pois o pesquisador que tem conhecimento em programação pode criar suas operações. A comunidade científica internacional percebeu que, mesmo com as facilidades do R, não conseguia tornar alguns resultados reprodutíveis, e assim criaram mecanismos como o “R markdown”, explicou o professor, integrante da equipe do projeto MapCast. Uma das grandes vantagens do “R markdown”, destaca o professor Gerson Rodrigues, é que com um único script, é possível produzir uma página de internet, um arquivo PDF, um arquivo em formato word, uma apresentação tipo powerpoint (mas em formato PDF) e há ainda a possibilidade de produzir um livro. “Além disso, foi facultado que, quem quiser contribuir com a comunidade internacional poderia disponibilizar o script para que outras pessoas aprendam a utilizá-lo. Antes, as pessoas contribuíam pouco”, acrescentou Rodrigues, que atua em treinamento de pesquisadores e professores em vários estados do Brasil e também no exterior. No âmbito do Projeto MapCast, ele observa que o “R markdown” facilitou a integração do trabalho com a equipe técnica. “Estou a muitos quilômetros de distância (Minas Gerais) e também há outros colegas do outro lado do país. Mesmo as reuniões virtuais não são suficientes para dirimir todas as dúvidas estatísticas, então com o “R markdown”, os pesquisadores podem executar os comandos, ler meus comentários e interagir no mesmo scrpit”.

Projeto MapCast 
Este projeto foi iniciado em 2014, com previsão de término em janeiro de 2018. É desenvolvido em sete estados da Amazônia (AC, AM, AP, MT, PA, RR e RO), visando estudos detalhados acerca dos ambientes naturais de ocorrência de castanheiras. Também busca ampliar o conhecimento das diversas relações sociais e econômicas envolvidas na atividade extrativista da castanha, a fim de fortalecer sua cadeia de valor na Amazônia Brasileira. O projeto está estruturado em cinco Planos de Ação, sendo que dois deles focam nas avaliações bióticas e abióticas, com utilização de modernas tecnologias digitais para o desenvolvimento de metodologias para o mapeamento e modelagem de ocorrências da espécie na Amazônia, como sensores remotos de alta resolução, tecnologia de laser scanner, dentre outros. Os outros dois planos de ação têm por objetivo trabalhar as questões socioeconômicas ligadas aos diversos sistemas de produção existentes, considerando os diferentes tipos de organização social das comunidades extrativistas e de relações de status fundiário das áreas onde são coletadas as castanhas.

 

Dulcivânia Freitas (DRT-PB 1.063/96)
Embrapa Amapá

Telefone: 0xx96-3203-0287

 

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

 

 

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