Roraima terá a primeira usina eólica em terra indígena na Amazônia

22 de Março de 2016  - Jaime de Agostinho

Entre os anos de 2020 e 2023 devem ser viabilizadas na Amazônia Legal nove usinas hidrelétricas. Os dados estão no Plano Decenal de Expansão de Energia da EPE – Empresa de Pesquisa Energética ligada ao Ministério de Minas e Energia. Até o final de 2014, já eram 10 estudos aprovados ou com aceite da Aneel, para região amazônica.  


 
Mas, como pontapé para novas possibilidades, Roraima vai receber em 2017 o primeiro sistema de geração de energia eólica em terra indígena, na Amazônia. O projeto Cruviana é uma parceria entre o Instituto Socioambiental, a Universidade Federal do Maranhão, o Conselho Indígena de Roraima, entre outros. Inicialmente, mil moradores de duas comunidades da Raposa Serra do Sol devem ser contemplados pela energia dos ventos.

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O diretor nacional do programa Luz Para Todos, do Ministério de Minas e Energia, Aurélio Pavão, explica que a intenção é fazer uma combinação de energias como a eólica, solar e a diesel.”Os investimentos iniciais pra essas duas comunidades, que é Maturuca e Pedra Branca, nós estamos estimando em torno de R$ 5 milhões. Só que nós queremos expandir pelo menos até o final do programa Luz para Todos, atender pelo menos mais umas 1.000 famílias ali na terra indígena”, explicou.
 
O analista do Instituto Socioambiental e coordenador do projeto, Ciro Campos, afirma que toda forma de geração de energia causa algum impacto. Mas para ele, a eletricidade que vem dos ventos, quando gerada em pequena escala, é menos nociva do que a energia de grandes hidrelétricas.“Sem dúvida os impactos da energia eólica são menores que os das hidrelétricas, mas toda geração de energia causa algum impacto. No caso da energia eólica que vai lá pra Raposa Serra do Sol, que é uma energia eólica de pequena escala, a gente espera que seja um impacto ainda menor. E isso só se garante mesmo com muito diálogo”, afirmou.
 
E as conversas entre os indígenas da Raposa sobre energia já são feitas desde 2010. O coordenador do Conselho Indígena de Roraima, Mário Micássio, explica que a busca foi por um modelo de menor impacto e que a produção de energia será um forte incremento nas atividades produtivas dos indígenas.
 
A importância dele é que poderá ajudar também, agora que a terra tá demarcada e homologada, ajudar na sustentabilidade das comunidades indígenas, geração de renda e na educação, saúde…
 
O projeto Cruviana continua a realizar estudos na região e ainda deve apresentar o mapeamento das outras 90 comunidades que podem ser beneficiadas nos próximos anos. Na maior comunidade beneficiada, a instalação do sistema pode evitar a queima de pelo menos 20 mil litros de diesel por ano, evitando a emissão de gases do efeito estufa.
 
Também são destaques do Jornal da Amazônia 1ª Edição desta terça-feira(22):
– Prazo para Cadastro Ambiental Rural termina em maio
– Crise econômica pode prejudicar tradição na Páscoa

FONTE: EBC

 

 

 


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