Operação Krokorema – Garimpeiros armam emboscada e policial militar acaba baleado

Policiais militares caíram em uma emboscada, na manhã do último sábado, dia 29, na região do Auaris, na terra indígena Yanomami, no município do Amajari, a 150 quilômetros da Capital pela BR-174, Noroeste de Roraima.  O sargento Ranildo Brandão, de 46 anos, foi baleado nas costas pelos garimpeiros, durante ação da operação denominada Krokorema II (codinome Fiocruz) – desencadeada na última quinta-feira, dia 27, por servidores da Frente de Proteção Etnoambiental Yanomami e Yokuama da Funai (Fundação Nacional do Índio), com apoio da força policial da Cipa (Companhia Independente de Policiamento Ambiental) da PM (Polícia Militar). Ele foi atingido quando tentava retirar um tronco que impedia a passagem no estreito rio.

Até o final da tarde de ontem, 20 pessoas já haviam sido presas na região. Segundo o comandante da Cipa, major PM Miguel Arcanjo, os garimpeiros devem chegar hoje pela manhã à Capital e se, chegarem, serão levados à superintendência da Polícia Federal, no bairro 13 de Setembro, zona Sul.

O major deu detalhes do ocorrido. Disse que a guarnição já havia destruído seis balsas, durante a operação, antes da troca de tiros. “Eles se dirigiam a outra parte do rio para destruir mais balsas, quando foram surpreendidos pelos garimpeiros, que atiraram do meio do mato. O tiroteio ocorreu no momento em que a voadeira dos militares parou para que eles tirassem o tronco que obstruía a passagem no rio”, relatou.

Naquela região, segundo o comandante, cerca de 300 garimpeiros estão atuando de forma clandestina extraindo ouro. E em toda a terra Yanomami, segundo o comandante, são quase mil homens garimpando. “Eles chegam de moto por estradas venezuelanas”, informou o major.

Após o tiroteio, os garimpeiros se embrenharam na mata, conforme a Polícia. O sargento baleado foi socorrido pelos colegas e chegou de aeronave na Capital, no hangar do Governo do Estado, por volta das 9 horas de ontem. Ele foi levado às pressas ao setor de Trauma do Pronto Socorro Francisco Elesbão, onde passou por cirurgia. A bala atingiu um dos pulmões, segundo o comandante.

“Um dos projéteis atingiu um pulmão, mas o sargento já foi cirurgiado e agora está em observação. Não corre risco de perder a vida. Esperamos o quanto antes ter nosso militar de volta na ativa”, disse o comandante.

Para reforçar a segurança dos agentes da Funai, que desencadearam a operação ‘Korekorema II’, na terra Yanomami, o Comando da PM enviou ontem pela manhã mais 10 policiais do Bope (Batalhão de Operações Especiais). Na manhã de hoje, conforme adiantou o major, mais cinco policiais militares seriam enviados à região do conflito.

O comandante observou que os garimpeiros mudaram de comportamento e agora estão agindo de forma agressiva. Por isso, o Comando da PM se reunirá hoje pela manhã, segundo o major, para discutir com a Funai novas intervenções naquela região.

Além dos policiais da Cipa, do Bope e agentes da Frente de Proteção Etnoambiental Yanomami e Ye’kuana (FPEYY), da Funai, também já foram enviados à região, militares do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate).

SAÚDE – Uma corrente de pedido de ajuda está circulando, neste domingo, nas redes sociais com um pedido de solidariedade para doação de sangue ao policial militar que foi baleado no sábado durante operação na região de Auaris, município de Amajari.

O sargento Ranildo Brandão está precisando de doação de sangue do tipo B positivo. As coletas de sangue só poderão ser feitas nesta segunda-feira, DIA 1°, no Hemocentro de Roraima.

Segundo o major Arcanjo, a equipe médica informou que o estado dele é estável e que agora aguarda recuperação na UTI (Unidade Terapia Intensiva).

Por: Amilcar Júnior – Folha de Boa Vista

http://www.folhabv.com.br/novo/noticias/view/id/2687/titulo/Garimpeiros+armam+emboscada+e+policial+militar+acaba+baleado

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.