Ministra diz que agenda definida na Rio+20 pauta discussão da sustentabilidade no mundo

No mês em que a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, completa um ano, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, defendeu a relevância do encontro internacional, destacando que a agenda definida pelas autoridades presentes pauta a discussão da sustentabilidade atualmente. Na abertura da Semana do Meio Ambiente, hoje (3), no Jardim Botânico, a ministra disse que não há um fórum de que tenha participado em que essa importância não tenha sido reconhecida. 

“Um ano depois da Rio+20, o que temos no exterior é uma pauta modelada pela herança e pelo legado da conferência”, defendeu a ministra na abertura do evento. Ela reforçou a ideia em entrevista a jornalistas: “A agenda da Rio+20 tem pautado todas as negociações internacionais de desenvolvimento sustentável, e basicamente é uma agenda que coloca na centralidade do debate a questão do homem, a questão da erradicação da pobreza e de evoluir em novos modelos econômicos, para permitir que possamos tratar a sustentabilidade não só como uma questão de desenvolvimento nacional, mas de desenvolvimento global.”

A ministra comparou a Rio+20 à Rio92. Segundo Izabella Teixeira, elas representaram fases distintas da discussão da sustentabilidade. “A Rio92 foi um ponto de chegada, em que se negociou um conjunto de acordos legais como a Convenção do Clima e a Convenção da Biodiversidade e se finalizou essa etapa na conferência. A Rio+20 foi um ponto de partida. A partir do que foi definido aqui há um caminho de negociação e novos postulados.”

O diretor da organização não governamental Vitae Civilis, Marcelo Cardoso, que participou do evento, em 2012, no Rio, avalia que a conferência consolidou discussões iniciadas há décadas e que a agenda ambiental ganhou, de fato, um componente social.

“Não é que essa discussão [do consumo sustentável, da chamada economia verde e da erradicação da pobreza] passaram a ser pauta, mas [a Rio+20] deixou esses conceitos mais claros, a discussão tomou corpo, hoje as pessoas discutem isso [em outros fóruns] com clareza. Os Objetivos do Milênio e do desenvolvimento sustentável caminham juntos”, declarou em entrevista à Agência Brasil.

Cardoso explicou que a consolidação de conceitos tomam um tempo, como no caso da própria “sustentabilidade”, uma ideia que ganhou força na Conferência Mundial sobre o Homem e o Meio Ambiente (a Conferência de Estocolmo), em 1972, para ter escopo definido na Rio92.  “O termo sustentabilidade não foi cunhado em 1992. Ele vinha em construção”, lembrou.

Ao concordar com a ministra Izabella Teixeira, que defendeu a importância da Rio+20 para pautar as discussões mundiais, o diretor citou a preocupação e o envolvimento do empresariado em torno do “consumo sustentável”. Porém, ela avalia que ainda é preciso pensar o impacto do modelo econômico atual sobre o meio ambiente. “Não estamos no caminho certo”, concluiu.

A programação da abertura da Semana do Meio Ambiente no Jardim Botânico incluiu o seminário A Geopolítica do Desenvolvimento Sustentável, com a participação de pesquisadores, representantes do governo, do setor privado e de organizações não governamentais. O diretor do Departamento de Meio Ambiente e Temas Especiais do Ministério das Relações Exteriores, André Corrêa do Lago, analisou que cada país enfrenta setores internos reticentes à agenda ambiental. De acordo com ele, esses setores são mais ativos e atuam com lobbies fortes por considerarem que têm muito a perder com o avanço da agenda.

A diretora regional da América Latina e Caribe do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Margarita Astrálaga, e a presidenta do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), Yolanda Kakabadse, defenderam o investimento na busca de novos modelos econômicos. O presidente da Unilever no Brasil, Fernando Fernadez, argumentou que as grandes empresas precisam alinhar práticas e parâmetros nessa área para, entre outras vantagens, facilitar a oferta de matéria-prima sustentável, muitas vezes fornecida por empresas menores e com dificuldades em atender a demandas muito diversas.

FONTE  :  Agência Brasil

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