Policiais rodoviários e xavantes vivem clima de tensão em rodovia do leste de Mato Grosso

Policiais Rodoviários Federais (PRF) do posto de Primavera do Leste, a 239 km de Cuiabá, queixaram-se nesta semana ao Ministério Público Federal (MPF) e à Fundação Nacional do Índio (Funai) do número crescente de ameaças e delitos cometidos por grupos de xavantes oriundos da terra indígena Sangradouro nas imediações da rodovia BR-070. Devido a restrições à entrada nas aldeias para apurar delitos e à proteção jurídica especial dos índios, a PRF relatou que parte deles têm se sentido à vontade para cada vez mais desobedecer a autoridade policial e continuar praticando ilegalidades.

Posto de pedágio ilegal dos Xavantes em rodovia do Mato Grosso
Posto de pedágio ilegal dos Xavantes em rodovia
do Mato Grosso

Apesar da recorrência de casos de delito envolvendo xavantes, os policiais consideraram a “gota d’água” episódio ocorrido na última terça-feira, quando agentes chegaram a ser ameaçados. No dia, um índio teve o carro apreendido após a constatação de que se tratava de um veículo roubado, comprado em Primavera do Leste por aproximadamente R$ 8 mil.

À noite, um caminhão de óleo de cozinha que havia quebrado na rodovia acabou saqueado por um grupo de xavantes. O motorista não teve opção a não ser se distanciar. Quando dois policiais rodoviários chegaram para tentar impedir, foram ignorados, empurrados e, depois, ameaçados de morte. Além disso, foram furtados da viatura policial um rádio, um telefone celular da patrulha e um cartão de abastecimento de combustível.

Segundo o inspetor Zancanaro, chefe de policiamento de fiscalização do posto da PRF em Primavera do Leste, existem grupos dentro da população de mais de 5 mil índios que simplesmente não se sujeitam nem às recomendações dos líderes em Sangradouro quanto às autoridades fora da reserva.

“Alguns grupos hoje estão perdendo a identidade cultural e acabam causando problemas, saques, muitas vezes roubando pertences de famílias que quebram seus carros nas rodovias. Cometem agressões, dão calotes, dirigem alcoolizados. Mas não são os xavantes em geral, são alguns indivíduos isolados”, relata o inspetor, lembrando que já ocorreu até apedrejamento de ônibus.

Há dois anos e meio trabalhando na região, ele conta que incidentes do tipo sempre houveram, mas a situação ficou insustentável. Hoje, as aldeias têm funcionado como destino de carros roubados e objetos frutos de saque. Como é muito delicado para uma força policial entrar numa área dessas, os crimes ficam sem solução, os responsáveis inimputáveis e os policiais acabam sendo rotineiramente desacatados.

Desacato

“Hoje, o índio acha que não pode ser fiscalizado, que não precisa obedecer ninguém, mas ele tem que entender que aqui fora da aldeia ele tem que obedecer. Isso chegou a um ponto em que a partir de agora tem de haver alguma decisão. Toda vez que tem um acidente com carreta, a carga é saqueada. Já houve até tentativa de provocar acidente. A aldeia está se tornando destino de ilícitos”, afirma o inspetor.

A PRF já reportou a situação à Funai, mas está agendando mais uma série de reuniões com as autoridades competentes e também com líderes indígenas de Sangradouro para buscar uma saída para a criminalidade desenfreada na região.

A Funai foi procurada pelo, mas não enviou resposta a respeito da situação com entre PRF e xavantes de Sangradouro. O MPF informou que ainda não há agenda oficial para tratar do assunto.

FONTE : http://www.questaoindigena.org/2013/03/policiais-e-xavantes-vivem-clima-de.html#more

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