Roubo de ovos pode afetar reprodução de aves nos arredores da Reserva Mamirauá

Pesquisadores brasileiros tentam descobrir o impacto que caçadores têm causado na reprodução de aves migratórias que utilizam a Amazônia para construir ninhos e gerar filhotes nas margens do Rio Solimões, nos arredores da Reserva Mamirauá – a 600 km de Manaus (AM).Invasores têm roubado ovos de espécies aquáticas em praias formadas pelo rio para vendê-los em cidades vizinhas à reserva, como Uarini, por preços que variam de R$ 1 a R$ 2.

Segundo os cientistas, a prática pode causar um desequilíbrio no processo de reprodução e nidificação — construção de ninhos — de espécies como a gaivota (Phaetusa simplex), o corta-água (Rynchops niger) e a gaivotinha (Sternula superciliaris).

Isso porque as aves podem não voltar a se reproduzir em áreas que foram invadidas ao menos uma vez, o que reduziria a oferta de áreas disponíveis para colônias. De acordo com a bióloga Bianca Bernardon, coordenadora do grupo de pesquisa aves aquáticas do Instituto Mamirauá, o roubo de ovos costuma ocorrer em praias não protegidas.

“Aves migratórias têm colônias reprodutivas protegidas por lei. Entretanto, apenas 33 praias do Solimões, próximas ao Instituto Mamirauá, estão sob a legislação. Em média, cada colônia pode ter até 13 mil ovos apenas de gaivota e outros 4 mil de exemplares de corta-água. Sabemos de casos de pessoas roubaram ao menos mil ovos em um único dia”, explica.

Segundo Bianca, a falta de fiscalização na região permite a invasão de caçadores e a montagem de acampamentos para captura de quelônios e outros animais, além dos ovos das aves aquáticas. Outro problema é a ocupação de locais por criação de gado, que acaba pisoteando os ninhos. “É necessário uma maior fiscalização e educação ambiental na região”, disse.

Migração
A pesquisa do Instituto Mamirauá quer ainda conhecer a rota das aves migratórias. Entre agosto e setembro, os pesquisadores do Mamirauá capturaram pouco mais de 300 exemplares das três espécies para obter mais informações sobre o modo de vida delas. Anilhas foram colocadas nas patas para identificação dos espécimes.

“Se algum pesquisador encontrar alguma ave em qualquer parte do Brasil, eles vão anotar os dados e nos fornecer detalhes”. As informações coletadas vão permitir investigar se as mesmas aves retornam para as praia onde nasceram ou se reproduziram em anos anteriores, mesmo sob pressão da exploração humana.
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