Pesquisadores discutem perspectivas para o desenvolvimento sustentável da Amazônia

Pesquisadores realizaram um debate ontem (13) a respeito da necessidade de uma “revolução científica” para garantir a sustentabilidade da Amazônia, durante o Fórum sobre C,T&I para o Desenvolvimento Sustentável, organizado pelo International Council for Science (ICSU), na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). A mesa, intitulada ‘Science, Technology and Innovation for the Sustainable Development of Amazonia: A Brazilian perspective’, teve como base as análises do livro ‘Amazônia: desafio brasileiro do século XXI – a necessidade de uma revolução cientifica e tecnológica’, produzido pela Academia Brasileira de Ciências (ABC).

 

A geógrafa e pesquisadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Biodiversidade e Uso da Terra da Amazônia, Bertha Becker, alertou para a necessidade de aprofundar o conhecimento sobre a região, dotada de uma “riqueza verde”, a fim de descobrir o seu potencial. “Não está clara a convergência entre economia verde e erradicação da pobreza”, pontua, lembrando da importância de valorizar os diferentes caminhos para o desenvolvimento sustentável. 

Bertha foi a primeira a fazer considerações no evento, do qual participaram também a presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Helena Nader; o presidente da ABC, Jacob Palis; o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Carlos Nobre; e o vice-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), João Carlos Ferraz.

 

Pobreza e riqueza – A geógrafa lembrou que, apesar da riqueza da Amazônia, sua população ainda é “extremamente pobre” e contribui com apenas 8% do PIB do País. “A maioria dos assentamentos pobres do País está na região. E ainda há a imigração internacional, como os haitianos que chegaram ao Acre e pessoas que estão vindo da África e Índia. A pobreza está se acentuando”, alerta, lembrando também a necessidade de criar políticas para os centros urbanos da Amazônia, já que normalmente se pensa mais nas populações das florestas. 

Por sua vez, Carlos Nobre destacou dois aspectos descritos no documento da ABC: a necessidade de interconectar a Região Amazônica (“é um imenso espaço, vazio em termos de telecomunicações”) e potencializar a capacidade científica e “extrair valores do coração da Amazônia”. Valores que incluem recursos que movimentem a economia, como vem acontecendo com a produção de açaí, exemplo dado pelo climatologista.

 

Nobre comemora o fato de atualmente haver muitos cientistas em posições políticas de destaque no Governo, mas afirma que, no caso da Amazônia, ainda é preciso investir em bases científicas estruturais, criando mais empresas, universidades, laboratórios e um parque tecnológico. 

Modelo especial – Helena Nader lembrou a dificuldade de atrair e manter pesquisadores qualificados na região, destacando o exemplo bem sucedido no estado do Amazonas, onde a política educativa atingiu todos os níveis do ensino. “Precisamos de políticas públicas e também de tenacidade”, completou o vice-presidente do BNDES. Bertha Becker recordou o sucesso da “multiplicação dos campi” na região, com “cada vez mais gente ingressando na universidade por lá”.

 

Além disso, a presidente da SBPC ressaltou que a Amazônia precisa de um modelo próprio de sustentabilidade. “Não há país na mesma situação, com tanta diversidade, e os modelos não podem ser copiados”, sublinha. “Tenho 64 anos e quando era pequena escutava que a Amazônia é o futuro. Não quero morrer ouvindo que ela ainda é o futuro”, conclui. 

FONTE : Clarissa Vasconcellos – Jornal da Ciência

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