ONG internacional pede ao ministro da Justiça que detenha massacre de índios Awá, na Amazônia

Em uma campanha lançada nesta quarta-feira (25), a ONG Survival International publicou um vídeo no qual mostra a situação dos índios Awá – que vivem na região entre Pará, Tocantins e Maranhão e são a tribo mais ameaçada do mundo, segundo a organização – e pede para que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, detenha o massacre deles por parte de madeireiros e fazendeiros da região.

A estrela da campanha é o ator britânico Colin Firth, que aparece no vídeo dizendo: “a tribo Awá é a mais ameaçada do mundo. Sua floresta está sendo ilegalmente desmatada. Quando os fazendeiros os veem, eles os matam. Um homem pode deter isso – o ministro da Justiça do Brasil. Ele pode mandar a Polícia Federal para lá para afastar os madeireiros. Mas agora esta simplesmente não é a prioridade dele”.

Em seguida, o ator pede para que as pessoas mandem mensagens a Cardozo pela causa. Logo abaixo do vídeo, no site da ONG, é possível mandar mensagens ao ministro via Facebook ou e-mail. Aos interessados, também é possível contribuir financeiramente com a campanha. Outras ações incluem enviar uma carta à presidente Dilma Rousseff e, aos estrangeiros, escrever para as embaixadas locais no Brasil.

Sarah Shenker, organizadora da campanha no Brasil, afirmou que a ONG “pretende introduzir as pessoas aos Awá, por meio de vídeos e um site interativo, e encorajá-las a tomar uma ação online direcionada ao ministro da Justiça, pedindo para ele impedir a destruição dos índios”. Ela acrescentou que o território da tribo é protegido pela Constituição brasileira, e que a única atitude de Cardozo seria enviar policiais federais e agentes da Fundação Nacional do Índio (Funai) para deter os madeireiros.

“Pessoas e organizações do mundo inteiro têm um papel crucial para pressionar pela causa Awá. Isso fica particularmente evidente quando consideramos o fato de que o dinheiro de contribuintes europeus foi usado para criar um fundo para o projeto Carajás [nos anos 1980]”, continuou.

Depois do apelo, o site da campanha discorre sobre a vida dos Awá, explicando como são nômades que vivem da caça; como passaram a ser ameaçados a partir dos anos 1980, com a exploração da mina de ferro em Carajás; como se relacionam em família; como têm a cultura de criar filhotes de animais para depois devolvê-los à floresta – algumas mulheres inclusive os amamentam; como fazem seus rituais noturnos; e como sofrem a ameaça de madeireiros, fazendeiros e pistoleiros nos dias atuais.

Focada na defesa de tribos indígenas do mundo todo, a Survival International afirmou que os próprios índios Awá pediram para que a campanha fosse lançada, para ajudar a divulgar a situação deles e pressionar as autoridades a agir de forma rápida. “Se nenhuma medida for tomada, eles não vão sobreviver”, disse Shenker.

Segundo ela, a ONG acompanha a tribo há mais de 40 anos. Hoje, os Awá contam 360 índios em contato com outras culturas e entre 60 e 100 índios sem contato algum com outras culturas. “A pequena população faz com que estejam particularmente ameaçados, e alguns especialistas brasileiros falam em genocídio.”

Em um relato à organização, Pire’i Ma’a, integrante da tribo, afirmou que os fazendeiros “estão derrubando madeira e vão destruir tudo. Macacos, antas, os animais estão todos fugindo e não sei como vamos comer. Esta terra é minha, é nossa. Eles podem voltar para a cidade, mas nós vivemos na floresta. Eles vão matar tudo e nós vamos ficar com fome, assim como nossas crianças”.

Por sua vez, o ministro Cardozo atribuiu ontem à “imensidão do território brasileiro” a dificuldade de se combater a violência e as situações de risco contra povos indígenas em conflito com fazendeiros ou madeireiros no país e disse que é “impossível” para o governo prevenir esses casos.

“Infelizmente temos muita violência em relação aos povos indígenas, e numa tal dimensão que é impossível, a qualquer governo, poder prevenir situações da forma como elas se colocam”, declarou. Sobre a campanha da Survival International, Cardozo sugeriu que fosse mais de “conscientização”, já que “o governo está consciente dos problemas e fazendo aquilo que é possível”. Ele não especificou, no entanto, quais ações pontuais estariam sendo implementadas em defesa dos Awás.

Em janeiro deste ano, o Ministério Público Federal decidiu investigar a denúncia de que uma criança indígena Awá foi queimada viva por um madeireiro no interior do Maranhão. A Fundação Nacional do Índio declarou à época que se tratava de um “boato”.

Procurada desde segunda (23) pelo UOL, a Funai ainda não se pronunciou a respeito da campanha e das denúncias envolvendo os índios Awá.

VEJA VÍDEOS E FOTOS EM: http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2012/04/25/em-campanha-ong-internacional-pede-ao-ministro-da-justica-para-deter-massacre-de-indios-awa-na-amazonia.htm

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