Amazônia – Combate ao desmatamento

27 de Fevereiro de 2013  - Jaime de Agostinho

Equipes do Ibama, em ação da Operação Onda Verde, aprenderam duas cargas de madeira em toras na região de Sinop, 488 quilômetros de Cuiabá. A primeira apreensão foi de um bitrem com 52 m³ de toras de essência totalmente divergente da guia florestal. O motorista foi autuado pelo transporte irregular e o vendedor pela emissão de nota inconsistente. A madeira foi destinada ao pátio da Secretaria Municipal de Obras de Sinop. 

A segunda apreensão aconteceu em Marcelândia, onde um caminhão foi flagrado transportando 21 m³ de madeira em toras sem qualquer tipo de documentação. O motorista foi autuado e os bens apreendidos foram levados para a Secretaria de Obras daquele município.

Segundo Marcus Keynes, superintendente do Ibama em Mato Grosso, a Operação Onda Verde será intensificada com a chegada dos soldados da Força Nacional. “Com estes parceiros nós vamos dobrar o número de equipes atuando contra o desmatamento ilegal na região”, afirmou.

A Operação Onda Verde está atuando em seis pontos estratégicos da Amazônia Legal. Dois pontos em Mato Grosso, dois no Pará, um em Rondônia e outro no Amazonas. Iniciada no início de fevereiro ela não tem prazo de duração. “Com sol ou com chuva os agentes estarão combatendo os criminosos ambientais”, assegura Keynes.

O Ibama apreendeu cerca de oito mil m³ de madeira ilegal (320 caminhões cheios), quatro motosserras, dois geradores e desativou cinco portos clandestinos de embarque de toras ao longo dos rios Curuatinga e Curuá-Una, a 170 km de Santarém, no oeste do Pará. Na ação – uma das primeiras investidas do instituto desde o início da Operação Onda Verde no estado, em fevereiro -, dezenas de acampamentos de madeireiros também foram localizados e desmontados no interior da floresta.

Esta é a segunda vez em pouco mais de três meses que o Ibama interrompe atividade madeireira irregular nas margens do Curuatinga. Em novembro de 2012, os agentes apreenderam 915 toras, dois tratores e um caminhão na região. “Estamos rastreando os destinos da madeira retirada do Curuatinga, os planos de manejo envolvidos nas fraudes que permitem que ela chegue ‘esquentada’ ao mercado de Belém e vamos responsabilizar as empresas que financiam todo esse crime ambiental”, explica o chefe da Fiscalização do Ibama em Santarém, o analista ambiental André Gustavo.

Desde o final do ano passado, agentes do Ibama monitoram de helicóptero o Curuatinga. Na semana passada (19/02), localizaram as novas áreas de estocagem repletas de toras. No mesmo momento que fiscais ocupavam a extração clandestina, destruíam os acampamentos e apreendiam o produto florestal irregular, dezenas de balsas vindas de Belém e dos municípios próximos à capital paraense subiam o rio vazias. “Elas seguiam em direção aos portos clandestinos para carregar as toras”, revela o analista ambiental Tiago Jara, que participou da ação. Como não havia flagrante, as balsas foram notificadas a deixar o local e não mais embarcar madeira no rio Curuatinga. “Não existem Planos de Manejo Florestais Sustentáveis aprovados nesta região, ou seja, qualquer madeira saída do Curuatinga é fruto de crime ambiental e será apreendida “.

Doação Sumária

Parte da madeira apreendida deverá ser doada de imediato à Defesa Civil do Pará, caso a entidade possa retirá-la da mata. O produto florestal que não sair da floresta, cujo acesso é difícil, permitindo sua doação a outras instituições sem fins lucrativos, será destruído pelo Ibama onde se encontra. “A medida é necessária para impedir que os infratores lucrem com o dano ao meio ambiente, porque as toras serão furtadas se ficarem sem vigilância”, explica o chefe da Fiscalização.

Sem trégua

A Onda Verde atua em regiões líderes nos índices de desmatamento ilegal na Amazônia Legal. No Pará, três helicópteros e cerca de 100 homens combatem a destruição ilegal da floresta amazônica em frentes montadas em Uruará, Anapu e Novo Progresso, no oeste do estado. A operação, que permanecerá todo o ano de 2013 em campo, conta com apoio do Batalhão de Polícia Ambiental do Pará, Ministério do Trabalho e Emprego e Força Nacional. Há mais cinco frentes de ação da Onda Verde, uma no Mato Grosso, três no Pará e outra em Rondônia.

FONTE : ASCOM/IBAMA


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