Suiá Missú – Fazendeiros despejados aguardam apoio para transportar a mudança

7 de Janeiro de 2013  - Jaime de Agostinho

Os fazendeiros despejados da Reserva Indígena Xavante, no nordeste de Mato Grosso, aguardam apoio do INCRA para transportar a mudança. Eles temem ter os bens confiscados pela Justiça. Algumas famílias foram levadas para um loteamento da região, mas encontraram problemas de infraestrutura no local. 

Os cerca de seis mil posseiros deixam sem resistência a área considerada indígena. O prazo estipulado pela Justiça para a desocupação dos 165 mil hectares terminou no dia quatro de janeiro, mas muitas famílias não deixaram o local.

O agricultor Oldemir de Souza conta que o INCRA ofereceu caminhões para tirar a mudança e os animais, mas a ajuda ainda não chegou. Sem dinheiro para custear o transporte, ele teme que o governo confisque os bens da propriedade.

Para pressionar a saída com as famílias, comboios com policiais federais e agentes da Força Nacional de Segurança percorrem as propriedades. Comitivas levam os rebanhos para fora da área indígena. Seiscentas cabeças de gado, que foram vendidas às pressas, percorrerão 250 quilômetros em oito dias de marcha para chegar ao município de Novo Santo Antônio. “Teve que vender porque não tinha aonde colocar”, diz.

Para abrigar as famílias que estavam na reserva indígena o INCRA ofereceu uma área em Ribeirão Cascalheira, que fica a 150 quilômetros da região. Mas quem foi para a cidade diz que no local já existem famílias assentadas e que as terras não são produtivas.

Muitos moradores de Porto da Mata também buscaram refúgio em Bom Jesus do Araguaia. No município de cinco mil habitantes o prefeito da gestão anterior doou cerca de 70 lotes. Muitas famílias como a do comerciante Adailton de Jesus levaram a mudança para o local. Mas o loteamento que mal começou enfrenta problemas. No lugar não há rede de esgoto, água encanada nem energia elétrica.

O prefeito de Bom Jesus do Araguaia, Joel Ferreira, que assumiu este ano, diz ainda que muitos lotes foram doados em áreas irregulares. “A gente vai passar um pente fino e fazer um recadastramento dessas pessoas para que um loteamento justo e organizado”.

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