AM – Produção comunitária serve como barreira para o turismo predatório

22 de dezembro de 2012  - Jaime de Agostinho

Construir cadeias produtivas de valor para blindar o mosaico natural do Arquipélago de Anavilhanas, no baixo Rio Negro, no Amazonas, foi a saída encontrada por lideranças locais contra os riscos do turismo predatório em função da Copa do Mundo de 2014. O lugar, berçário de biodiversidade, abriga 400 ilhas de mata virgem. “Como o assédio dos visitantes será intenso nos arredores de Manaus, sede dos jogos, o projeto é desenvolver atividades econômicas preventivas, principalmente o turismo de base comunitária, que envolverá 18 vilarejos ribeirinhos retendo o máximo de renda para região”, afirma Mirela Sandrini, diretora do Fundo Vale, responsável pelo investimento de R$ 4 milhões em capacitação para o empreendedorismo e fortalecimento dos elos atrelados ao negócio.

“O plano é multiplicar ideias e conectar parcerias para se alcançar escala em modelos econômicos com foco na conservação”, explica a diretora. Nos últimos três anos, o fundo aplicou R$ 15 milhões na Amazônia, incluindo regiões de conflito pela posse de terra, como a Terra do Meio, no Pará. No município de Anapu, onde a missionária Dorothy Stang foi assassinada em 2005 por defender pequenos produtores contra posseiros que desmatavam a região, recursos estão sendo investidos para o treinamento florestal dos moradores do Assentamento Virola Jatobá, que começarão a extrair madeira por meio de plano de manejo, além da tradicional atividade na roça de milho, feijão e mandioca de subsistência.

A madeireira Vitória Régia, que explorava toras na área em regime de comodato com os colonos assentados, foi impedida por um ato normativo do Ibama de continuar a produção. Até o fim de 2012, os assentados assumirão a exploração madeireira, para a qual receberão insumos, equipamentos e até serrarias portáteis apreendidas pelos fiscais em operações contra a produção ilegal.

“Todos dependiam do percentual da produção pago pela madeireira e agora precisarão colocar a mão na massa para fazer o trabalho”, conta o pesquisador Paulo Amorim, do Instituto Floresta Tropical (IFT), instituição parceira do Fundo Vale. A expectativa é fornecimento de madeira legalizada para a obra da hidrelétrica de Belo Monte, em Altamira (PA). A demanda por mão de obra projetada pelo empreendimento atrai migrantes, com estimativa de a população do município dobrar até 2015. “Muitos esquecem a produção florestal e buscam emprego na obra ou na cidade”, diz Amorim.

Nas proximidades de Oriximiná, Calha Norte do rio Amazonas, a tarefa é formatar a economia local começando do zero, pela construção da governança, definição de usos para áreas públicas devolutas, elaboração de planos de manejo e fortalecimento das associações locais.

“O trabalho é fazer a aproximação entre comunidades e empresas, sem intermediários para os quais os extrativistas costumam vender a produção com pagamento no ato da compra, porém por preços baixos”, explica Roberto Palmieri, do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora). Comunidades quilombolas já comercializaram copaíba para a Firmenich, empresa suíça de fragrâncias e essências, além de castanha para a Ouro Verde, do Grupo Orsa.

Fonte: Valor Econômico

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