Plataforma digital promete revolucionar estudos da botânica na Amazônia

7 de julho de 2011  - Tadeu Ribas

A “Era tecnológica” que vivemos é conhecida por realizar grandes feitos a favor do ser humano. A comunicação ganhou maior destaque por causa das transformações pelas quais tem passado. iPad, Tablets, MP10, iPhone, entre outros produtos criados para serem verdadeiros facilitadores da comunicação ganham cada vez mais destaque. Principalmente porque através da internet conseguem manter os seres humanos “conectados”, compartilhando informações em tempo real.

Uma das primeiras contribuições para a plataforma é um guia sobre fungos da Reserva Adolfo Ducke

É sabido que Amazônia é a região que abriga a maior diversidade de plantas e a maior extensão de florestas tropicais do mundo. Portanto, existem áreas que ainda não foram exploradas e atraem pesquisadores e estudantes de todo o mundo. Eles pesquisam em campos isolados e tem dificuldades na divulgação de suas descobertas.

É nesse momento que a tecnologia da informação pode revolucionar a forma como esse conhecimento é disponibilizado à sociedade. Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT) estão trabalhando na construção de uma plataforma digital que disponibilizará dados sobre plantas, facilitando o trabalho dos profissionais e criando uma rede social que democratize a produção dessa informação com participação de estudantes, professores e o público interessado de uma forma geral.

WikiFlora, WikiBio

“A ideia do Wikiflora surgiu em Manaus durante uma visita do ministro Aluizio Mercadante à Reserva Ducke em fevereiro, foi quando indicamos ao ministro a necessidade de se utilizar a tecnologia da informação para promover o conhecimento da flora da região Amazônica”, explica o coordenador do Programa de Pós-Graduação em Botânica do Inpa, Alberto Vicentini.

O Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) já anunciou uma parceria com a International Business Machines(IBM) para o desenvolvimento da plataforma, batizada preliminarmente de Wikiflora, que deverá ser apresentada na Conferência das Nações Unidas em Desenvolvimento Sustentável (Rio +20) em junho de 2012.

“O Wikiflora é uma proposta de Ciência Cidadã, e não apenas para plantas, mas também para outros organismos. Portanto, não mais Wikiflora, mas simWikibio”, instiga o pesquisador.

Fungos no topo da fila

Uma das primeiras contribuições para a plataforma é um guia sobre fungos da Reserva Florestal Adolfo Ducke que está sendo elaborado pelo bolsista do Inpa, Ricardo Braga-Neto, com a colaboração de outros pesquisadores. “Os fungos não são plantas, mas a plataforma do Wikiflora é bastante flexível e permite adaptações para incluir esse grupo de organismos. Pretendo incluir entre 100 e 150 espécies de fungos para compor esse guia, mas o Wikiflora permitirá incluir muito mais espécies”, explica Braga-Neto.

O projeto é uma forma de articular a gestão de dados botânicos e já disponibilizar as informações para a sociedade no mesmo formato de outras já conhecidas enciclopédias virtuais. “Mas a construção dessa rede ainda está em discussão, pois a proposta é mais abrangente, para não tratar só de flora”, adverte o pesquisador.

Segundo Braga-Neto, contemplar diferentes demandas, como estudantes e profissionais que não tem acesso aos estudos taxonômicos com facilidade, otimizaria o trabalho e faria com que o Brasil assumisse um papel de destaque. “Essa seria uma ferramenta muito moderna, tão importante para a Amazônia porque temos um perfil de poucos recursos humanos e a área da região norte é imensa, e esse é um passo fundamental para acelerar a qualidade de desenvolvimento da região. O Brasil tem condições de ser um líder mundial nessa área e acabar influenciando o mundo todo”, afirma.

O guia de fungos está sendo produzido no formato dos guias do Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio), que está incentivando a publicação de uma série de outros guias de identificação sobre a biodiversidade amazônica, como os de sapos, lagartos, samambaias e ervas como o gengibre. Quatro deles já estão prontos e disponíveis no portal PPBio: http://ppbio.inpa.gov.br/

Mais detalhes do projeto no artigo científico aqui.

Fonte: Inpa


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