Cientistas pesquisam solo fertilizante da Amazônia

11 de julho de 2011  - Tadeu Ribas

Cientistas de 14 instituições de pesquisa e universidades do Brasil e do exterior vão realizar estudos em solos caracterizados como Terra Preta de Índio (TPI), também chamada de Terra Preta Arqueológica (TPA). As experiências acontecem no campo experimental da Embrapa Amazônia Ocidental no município de Iranduba, no Amazonas. A pesquisa terá duração de um mês.

Batizada de “Sítio-Escola em Terra Preta de Índio”, a atividade teve início na sexta-feira, no centro de treinamento do campo experimental Caldeirão, da Embrapa Amazônia Ocidental. As atividades no campo da Embrapa têm finalidade científica e acontecem por quatro semanas até 6 de agosto, envolvendo uma equipe de 40 pessoas. Destes, dezoito são alunos de arqueologia da Universidade Estadual do Amazonas (UEA). Esses profissionais estarão em atividades práticas e teóricas de prospecção pedológica (estudo dos solos) e arqueológica. Na pedologia se estuda os solos em seu ambiente natural e na arqueologia se estuda as culturas do passado a partir da análise de seus vestígios materiais.

O “Sítio-Escola” está integrado como atividade científica do curso de Tecnologia em Arqueologia da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), como um intenso trabalho de campo no qual serão abordados conceitos e técnicas da arqueologia, assim como para as demais instituições servirá a estudos específicos de diversas áreas do conhecimento, como química do solo, física do solo, microbiologia do solo, dentre outras, de acordo com as especialidades dos profissionais das diversas instituições envolvidas.

Estas atividades no campo da Embrapa estão sendo realizadas através do Projeto Terra Preta de Índio, que integra o Macroprograma 2 da Embrapa com pesquisas em nível nacional sobre “Efeito das Mudanças Climáticas Globais nos Sistemas Produtivos, Seqüestro de Carbono e Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE)”.

A Embrapa pesquisa os solos de Terras Pretas de Índio na Amazônia  com o objetivo de criar um modelo de formação e evolução das Terras Pretas de Índio (TPI), focando os estoques e a dinâmica do carbono, fósforo e cálcio. O Projeto Terra Preta possui licença do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), com autorização para realizar as atividade de escavação arqueológica no sítio, bem como outras atividades de prospecção de solos.

As Terras Pretas de Índio (TPI) são sítios arqueológicos encontrados principalmente na Amazônia (dados de pesquisas recentes indicam, também, a existência de Terras Pretas no México e na África). Na Amazônia esses solos têm sua origem relacionada a povos ancestrais pré-colombianos.  Esses solos são caracterizados pelo grande acúmulo de matéria orgânica, apresentam grande disponibilidade de nutrientes como cálcio, magnésio, zinco, manganês, fósforo e carbono, e por isso são considerados entre os solos mais férteis do mundo, além de conservarem sua fertilidade por longo tempo.

Melhorar a fertilidade do solo

A partir do estudo das terras pretas vem sendo desenvolvidas técnicas para reproduzir semelhante fertilidade, que é o caso do Biochar – produzido a partir da carbonização de biomassa de resíduos orgânicos. “Ressalta-se o ineditismo dessa atividade como uma oportunidade em que cientistas, das mais variadas áreas de conhecimento, estarão juntos trabalhando em um mesmo local com o propósito de conhecer mais profundamente a Terra Preta de Índio, a correlação com o que muito se fala recentemente, o Biochar, bem como para o avanço de estudos, subsidiando outras pesquisas, e acumulando conhecimentos no campo da denominada Terra Preta Nova”, explica o pesquisador da Embrapa Amazônia Ocidental, Orlando Paulino, coordenador do projeto Terra Preta de Índio.

O coordenador do curso superior de Tecnologia em Arqueologia da UEA,  Bruno Moraes,  destaca que este “Sítio-Escola” tem um diferencial por reunir diversas áreas do conhecimento. “Embora essas áreas do conhecimento  tenham objetos científicos diferentes, o fato de estarem trabalhando juntos com o mesmo tema, permite que os dados gerados pelas diversas áreas do conhecimento se comuniquem e possa se  chegar a um entendimento mais integrado”.  Outro aspecto destacado por Bruno, é que se trata de uma rica oportunidade para os alunos. “O papel da Universidade não é só reproduzir, mas também gerar conhecimento e durante esses dias, os alunos terão aulas e também estarão em contato com outros pesquisadores participando da produção do conhecimento”, observa.

Participam deste “Sítio-Escola” pesquisadores da Embrapa Amazônia Ocidental (Amazonas), Embrapa Solos (Rio de Janeiro), Embrapa Florestas (Paraná), Serviço Geológico do Brasil (CPRM – RJ e CPRM – AM), Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo  (MAE – USP), Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq–USP), Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena–USP), Universidade do  Estado do Amazonas (UEA), Universidade Federal do Amazonas (Ufam),  Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Universidade de Wageningen (Holanda).

Fonte: EcoAgência


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