Encontro entre agricultores e indígenas busca exploração sustentável da Amazônia

22 de junho de 2011  - Adriana Buci

Em Juruena, no Mato Grosso, a a Associação de Mulheres Cantinho da Amazônia (AMCA) e a Cooperativa dos Agricultores do Vale do Amanhecer (Coopavam) compram castanha-do-pará extraída pela comunidade de assentados ou pelos índios rikbaktsas, o que beneficia o produto, posteriormente vendido a empresas como a Natura Cosméticos.

Na mesma comunidade também são feitos biscoitos, que são servidos na merenda escolar dos municípios da região. Na produção de látex, iniciada em 2006, os rikbaktsas têm parceria com a Pneus Michelin, que adquire toda a produção.

Experiências como estas foram conhecidas e trocadas entre indígenas e quilombolas do Acre, Amapá, Mato Grosso do Sul, Pará e de Roraima, que tiveram acesso a iniciativas de geração de renda por meio do uso sustentável da floresta amazônica. As ações, realizadas por índios rikbaktsas e comunidades de agricultores e extrativistas em Mato Grosso, mantêm as matas em pé e geram alimento e renda.

Promovida pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) entre a primeira e a segunda semana de junho, a visita viabilizou a troca de conhecimentos entre povos tradicionais e pequenos agricultores sobre diferentes maneiras de produzir comida, remédios, madeira e borracha, mas sem deixar de lado a conservação da floresta.

Representantes das populações tradicionais acompanhados de técnicos do Pnud e professores da Universidade de Brasília conheceram viveiros de mudas amazônicas, áreas de extração de borracha e castanha, fábricas de palmito e castanha e sistemas agroflorestais, além de associações que industrializam e vendem produtos da Amazônia.

Na avaliação do Pnud, a troca de experiências entre povos tradicionais pode estimular a propagação de atividades de desenvolvimento sustentável. Os cinta-larga da região se inspiraram nos rikbatktsas e estão deixando de explorar madeira para reativar seringais – o Mato Grosso é campeão brasileiro de desmatamento.

O intercâmbio de conhecimento entre as diferentes etnias (guaranis, kaiowás, wai wai, galibis, wapichanas, macuxis, karipunas, cinta-largas e zorós) já se refletiu nas demandas e ações propostas para dois projetos apoiados pelo Pnud em parceria com a Fundação Nacional do Índio (Funai): Gestão Ambiental em Terras Indígenas e o Programa Conjunto de Segurança Alimentar e Nutricional de Mulheres e Crianças Indígenas no Brasil.

Este encontro foi uma das últimas atividades do Projeto de Conservação e Uso Sustentável das Florestas do Noroeste do Mato Grosso, realizado desde 2001 pelo Pnud em parceria com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF).

Com informações do Pnud

fonte: http://www.ecodesenvolvimento.org.br/


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