Demanda por alimento continua a pressionar florestas, diz estudo.

7 de junho de 2011  - Jaime de Agostinho

O desmatamento mais lento e a maior consciência sobre o valor das árvores podem chegar tarde demais para salvar as maiores florestas tropicais do planeta, de acordo com um estudo mundial publicado nesta terça-feira.

As florestas tropicais estão sob ameaça pela pressão para produção de alimentos e biocombustíveis, bem como para o plantio de árvores de crescimento rápido, destinadas à fabricação de madeira, combustível ou papel.

A consciência sobre a proteção florestal está crescendo nos países tropicais, onde está havendo maior interesse por colheitas sustentáveis, especialmente no Ocidente, mas talvez não com a rapidez suficiente para conter o crescimento da demanda mundial por alimentos, disse Duncan Poore, coautor do estudo e ex-diretor da União Mundial para a Conservação da Natureza.

Duncan Poore

“Está havendo uma extraordinária mudança de atitude e cultura. Podem não estar praticando-a, ou serem capazes de fazer isso, por causa da falta de recursos, mas eles sabem que isso existe”, disse Poore.

Mas Poore não se mostrou otimista em relação ao destino das maiores áreas de floresta tropical no Brasil, Indonésia e África central.

“O ponto fundamental é que conservar florestas não é tão lucrativo como usá-las para outras coisas. Quando se avalia o aumento do consumo na China, índia, essa é uma perspectiva muito alarmante”, afirmou, referindo-se à demanda para converter florestas em área agriculturável, para produção de alimentos e biocombustíveis.

A área global de florestas tropicais naturais, permanentes, tanto a protegida ou apenas explorada para extrativismo de produtos florestais, provavelmente vai continuar a se reduzir a médio prazo, diz o relatório intitulado Status do Gerenciamento da Floresta Tropical em 2011.”

PREOCUPAÇÕES

O relatório foi publicado pela agência internacional para monitorar e promover a sustentabilidade, a Organização Internacional de Madeira Tropical, com sede no Japão.

O texto expressa o temor com a fraqueza na implementação das leis, recursos inadequados para a proteção da floresta, escassez de informação sobre gerenciamento de florestas e incerteza sobre direitos de posse.

A área total de floresta tropical natural, permanente em 2010 era de 761 milhões de hectares, dos quais 403 milhões de hectares eram explorados, por exemplo, para extração de espécies de árvores nativas para madeira, e 358 milhões de hectares eram protegidos.

A área explorada com práticas de sustentabilidade aumentou levemente, segundo o estudo, passando de 36 milhões de hectares em 2005 para 53 milhões de hectares e, 2010.

Uma brusca queda na área protegida nesse período, em especial no Brasil e na índia, deve-se muito provavelmente a mudanças na forma de cálculo, diz o texto.

As taxas de desmatamento em geral, de 2005-2010, estavam abaixo de 1 por cento, de acordo com o estudo, mas eram muito maiores em alguns países, especialmente no Togo e Nigéria.

Essas conclusões reforçam um relatório da agência da ONU para a agricultura e alimentação, a FAO, que constatou que a taxa de destruição das três maiores florestas mundiais caiu 25 por cento nesta década em comparação com a anterior, mas permanecia alarmantemente alta em alguns países.

A longo prazo, um sistema proposto de pagamentos para países tropicais, para redução do desmatamento e da consequente emissão de gases (REDD), pode fazer com que valha mais a pena preservar as árvores do que cortá-las, diz o relatório divulgado nesta terça-feira.

Mas essa proposta não avançou nas conversações da ONU sobre o clima, que permanecem estagnadas em razão do impasse sobre o quanto países industrializados e economias emergentes devem reduzir nas emissões de gases do efeito estufa.

Fonte: Reuters


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