Óleos vegetais: tendência da indústria de cosméticos traz benefícios à pele e ao meio-ambiente

25 de maio de 2011  - Jaime de Agostinho

Óleo mineral, normalmente utilizado pela indústria, pode causar danos à pele, como a obstrução dos poros

A indústria cosmética acaba de engajar-se em uma importante iniciativa que promete excelentes resultados estéticos e cuidados especiais com o meio ambiente: a utilização de óleos vegetais em substituição aos de origem mineral. Juntamente com princípios ativos extraídos de fontes naturais e renováveis, os óleos e manteigas vegetais caracterizam a nova tendência de cosméticos ecologicamente corretos.

De acordo com a técnica em estética da Buona Vita Cosméticos, Isabel Luiza Piatti, o óleo mineral, normalmente utilizado pela indústria, pode causar danos à pele, como a obstrução dos poros, podendo provocar acne. Também pode, segundo ela, obstruir as glândulas de excreção da pele, favorecendo disfunções da camada ácida do tecido. Derivadas do petróleo, estas substâncias repelem a água e impedem a absorção de outros ativos de base hídrica.

— Em contrapartida, por sua semelhança estrutural ao manto hidrolipídico da pele, os óleos vegetais reagem melhor com o tecido e permitem que tanto a água, como outros princípios ativos existentes nos cosméticos aplicados sejam bem absorvidos — explica Isabel.

Extraídos principalmente das sementes de plantas e frutas, os óleos vegetais também aumentam a proteção da pele contra a perda excessiva de líquidos, permitem a respiração cutânea e assimilam a luz solar. Também auxiliam o restabelecimento de peles rachadas e ressecadas, normalizando e reforçando a estrutura do tecido.

Ao contrário dos óleos minerais, os de origem vegetal causam menos reações citotóxicas e alérgicas. Finalmente, possuem outra característica também muito importante: são biodegradáveis, não poluem e nem agridem o meio ambiente.

Para a técnica, os cosméticos à base de óleos vegetais representam grande avanço da indústria estética.

— Nosso principal objetivo, agora, é conscientizar o público sobre a importância de eliminar, definitivamente, o uso de cosméticos com óleos minerais. O consumidor não apenas pode, mas deve exigir sempre o melhor.

Óleos vegetais são mesmo biodegradáveis?

Todos os óleos vegetais são biodegradáveis, podendo levar até 28 dias para se decompor, sem agredir a natureza, conforme afirma o engenheiro químico Joãosinho Angelo Di Domenico.

Mas, então, por que o óleo de cozinha, por exemplo, não pode ser descartado no meio ambiente sem cuidados específicos? Segundo o engenheiro, o problema é o grande volume de óleo lançado diariamente nos ralos e tubulações. Durante o período necessário para o material se biodegradar, outros resíduos acabam se aglutinando ao óleo e prejudicando o meio ambiente. Quando chega aos rios ou mar, o óleo vegetal forma um filme na superfície e prejudica a oxigenação da água, comprometendo sua qualidade e a sobrevivência dos peixes e outros seres.

Os óleos presentes nos cosméticos, por sua vez, são lançados em quantidade muito pequena que não oferece riscos ao meio ambiente.

— Quando aplicado na pele, grande parte do óleo é absorvida pelo tecido e processada pelas enzimas — explica o engenheiro químico.

É importante destacar, também, que algumas características distinguem os óleos vegetais entre si, de acordo com sua finalidade.

— Embora sejam quimicamente iguais, os processos de extração e refino dos óleos destinados aos cosméticos preservam elementos naturais da matéria-prima como vitaminas, fosfolipídios, antioxidantes, antiinflamatórios, entre outros — ressalta Joãosinho.

Tais substâncias favorecem a bioatividade da pele, hidratando o tecido, combatendo os radicais livres (causadores do envelhecimento cutâneo), ativando a regeneração celular e formando novas fibras de colágeno.

— Os cosméticos ecologicamente corretos que respeitam a biodiversidade, com óleos vegetais e ativos orgânicos, representam o comportamento dos consumidores conscientes que, além de valorizar a questão estética, estão atentos às necessidades da natureza — finaliza Isabel.


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