Integração agropecuária e floresta pretende recuperar áreas degradadas

23 de maio de 2011  - Jaime de Agostinho

Os primeiros resultados do Sistema de Integração Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF) foram apresentados ao secretário de Estado de Agricultura, Hildegardo Nunes, durante o Dia de Campo, realizado na última sexta-feira (20), em Paragominas, município do nordeste do Pará. Os primeiros testes para implantação do sistema no Estado foram realizados na fazenda Vitória, localizada no município.

A tecnologia desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) visa melhorar sementes de milho, soja e arroz, e incentivar o crescimento de espécies florestais nativas e exóticas. O Sistema ILPF com plantio direto recupera áreas de pastagens degradadas por meio da agricultura, de forma sustentável.

O sistema integrado combina duas ou mais atividades, como agricultura, pecuária e floresta, que são plantadas simultaneamente ou em ciclos culturais sucessivos. A escolha do melhor sistema e cultura depende de fatores regionais, climáticos, econômicos e sociais. Essa tecnologia possibilita sustentabilidade ao sistema produtivo, e hoje é o diferencial para a sobrevivência do setor agrícola, tanto na agricultura familiar quanto na empresarial.

 

 

A conversão da produção tradicional em Sistema ILPF é uma forma de diversificar a fonte de renda, agregar valor à propriedade e buscar sustentabilidade econômica, ambiental e social. Já o plantio direto é um método que utiliza plantas de cobertura, como o capim, introduzidas no solo ao lado de culturas como milho e eucalipto, servindo como protetor, ao evitar a erosão e perda da qualidade do solo.

Estratégia – Os sistemas de produção baseados na integração vêm se constituindo em estratégia para promover a recuperação de áreas de pastagem degradadas na Amazônia, pois permitem amortização dos custos de implantação, recuperação das pastagens pela comercialização de grãos, conforto térmico aos animais, proteção ao solo e fixação de carbono.

“As boas práticas agropecuárias tiraram o Pará da zona de embargo”, enfatizou Paulo Christo, pesquisador da Embrapa. “Nossa expectativa é fazer desse sistema uma política de governo, e expandir para toda a Região Norte”, explicou. O sistema integrado se paga sozinho, ao entrar em área degradada com agricultura e/ou reflorestamento. Inicialmente, os pesquisadores trabalham com grãos, mas a meta é ampliar para a fruticultura.

Hildegardo Nunes afirmou que o governo do Estado tem interesse no ILPF para a consolidação do programa “Municípios Verdes”, lançado pelo governador Simão Jatene com a proposta de conciliar o desenvolvimento agrícola à sustentabilidade ambiental, por meio de ações de reflorestamento, promoção da agroindústria e da agricultura. “Esse sistema representa de forma organizada a nossa própria natureza, e poderá, sim, se tornar uma política pública. Eu creio no sucesso desse sistema e na sua expansão no Pará”, concluiu Hildegardo Nunes.

 

Também participaram do Dia de Campo o vice-prefeito de Paragominas, Paulo Tocantins, pecuaristas e estudantes das Universidades Federal Rural da Amazônia (Ufra) e Estadual do Pará (Uepa).


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