CNI defende hidrovias na Amazônia

25 de Março de 2011  - Jaime de Agostinho

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) acaba de divulgar o estudo “Norte Competitivo”. O documento aponta uma série de obras de infraestrutura prioritárias para viabilizar o desenvolvimento da Região Amazônica, além de reduzir o chamado “custo Brasil” – os gargalos logísticos que comprometem a competitividade das atividades produtivas no País, em especial, a ênfase histórica no transporte rodoviário. De acordo com o relatório, é preciso priorizar o transporte hidroviário, principalmente, nos rios Tapajós, Paraguai, Madeira e Tocantins (Amazonia.org.br, 18/03/2011).

O documento aponta, ao todo, 151 projetos de infraestrutura de transportes para a Região Amazônica, sendo 39 dos quais relativos à integração com os países vizinhos. A realização destes projetos demandaria recursos da ordem de R$ 52 bilhões, dos quais cerca de 80% seriam de responsabilidade do Governo Federal.

Alguns projetos são apontados como estrategicamente prioritários, como os que proporcionam eixos viários mais eficientes e de maior impacto na geração de empregos: “A priorização permite então selecionar os eixos de integração que devem ser priorizados no curto/médio prazo para permitir ampliar a competitividade da Amazônia Legal: hidrovias do Paraguai e Juruena-Tapajós, rodovia Belém-Brasilia, [ferrovia] EF Carajás, [rodovias] BR-163 e BR-164, [ferrovia] Ferronorte, hidrovias do Madeira e Tocantins.”

Ainda segundo a pesquisa, a realização das obras prioritárias teria um imenso impacto positivo na competitividade da região, podendo gerar uma redução de 11,3% dos custos logísticos da chamada Amazônia Legal. O documento também conclui que, com tal economia, os valores investidos em tais obras prioritárias – aproximadamente R$ 14 bilhões – seriam compensados em menos de quatro anos.

A geógrafa Bertha Becker, professora emérita da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e membro da Academia Brasileira de Ciências, concorda em que a Região Amazônica necessita urgentemente de investimentos em infraestrutura de logística. Entretanto, ressalva que as obras não devem ser planejadas somente em termos de aproveitamento econômico. “Obras de logística, para o desenvolvimento da região, são cruciais. O problema é que essa proposta está mais preocupada com a exportação de recursos. É preciso uma logística que não só beneficie as exportações, mas atenda a população da Amazônia”, afirma.

Para Becker, uma visão de transportes integradora do desenvolvimento amazônico precisa ser integrada, articulada e multimodal. Isto significa que o planejamento deve ter a preocupação de se promover a confluência de diversas modalidades de transporte, tais como as hidrovias e as ferrovias. A pesquisadora destaca ainda a importância da inclusão de eclusas em projetos hidrelétricos, para se estimular a navegação fluvial na região – um dos temas mais sensíveis do tema, visto que os atuais projetos hidrelétricos insistem em considerar as eclusas uma despesa secundária, ignorando a sua importância estratégica para o País.

FONTE:  Alerta Científico e Ambiental


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