‘Prêmio Nobel Alternativo’ 2010 para o bispo Dom Erwin Kräutler

4 de fevereiro de 2011  - Jaime de Agostinho

Dom Erwin Kräutler é opositor ferrenho da usina de Belo Monte.

 

Ele ajudou a incluir os direitos indígenas na Constituição de 1988. A fundação Right Livelihood Award reconheceu nesta quinta-feira (30), com o chamado ‘Prêmio Nobel Alternativo’ 2010, os esforços do bispo brasileiro Erwin Kräutler em prol das tribos indígenas e da preservação da Amazônia.

Kräutler foi premiado por “uma vida de trabalho pelos direitos ambientais e humanos dos povos indígenas” e seus “esforços por salvar a Amazônia da destruição”.

Criado em 1980, o prêmio é entregue anualmente no Parlamento sueco. Ele foi criado “para homenagear e apoiar aqueles que oferecem respostas e exemplos práticos para os desafios mais urgentes que enfrentamos hoje “, de acordo com a organização.

A iniciativa começou com Jakob von Uexküll, um filatelista sueco-alemão, que vendeu seu negócio para conseguir os primeiros recursos doados. Desde então, o prêmio tem sido apoiado por doadores individuais.

O Bispo do Xingu ganhou notoriedade por sua luta pelos direitos indígenas e pela sua oposição à usina de Belo Monte. Brasileiro de origem austríaca, Kräutler, de 71 anos, se destacou pela defesa dos direitos indígenas na região paraense do Xingu, de cuja diocese é bispo desde 1980.

Cimi

Seu trabalho possibilitou a inclusão dos direitos indígenas na Constituição brasileira de 1988, uma linha que seguiu promovendo no Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Com o Cimi, Kräutler impulsionou projetos de construção de casas, escolas e centros para crianças, mães e mulheres gestantes.

Belo Monte

Também foi ferrenho opositor da construção da hidrelétrica de Belo Monte no rio Xingu, em razão dos irreparáveis danos ambientais que causaria na região, enfrentando assim o Governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O júri do Nobel Alternativo reconheceu também os esforços do nigeriano Nnimo Bassey em defesa do meio ambiente, contra as petrolíferas de seu país.

Os agraciados pelo Nobel Alternativo dividirão 200 mil euros em prêmios (US$ 272 mil). A cerimônia de entrega das homenagens será realizada no dia 6 de dezembro no Parlamento sueco. O Right Livelihood Award (Prêmio Modo de Vida Correto) foi adotado em 1980 pelo escritor e ex-eurodeputado sueco-alemão Jakob von Uexküll. A homenagem distingue o trabalho social de pessoas e instituições e é considerada a ante-sala do Nobel da Paz. Vários ganhadores do prêmio ‘alternativo’ acabaram recebendo depois o outro prêmio, como a queniana Wangari Maathai, que recebeu o Right Livelihood Award em 1984 e o Nobel da Paz em 2004.

FONTE: Globo Amazônia


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