Criar alternativas ao desmatamento está entre desafios para Amazônia em 2011

30 de dezembro de 2010  - Jaime de Agostinho

Construção de Belo Monte, no PA, deve ser prioridade do governo. Debate sobre o Código Florestal também está na pauta de 2011. Investir em alternativas ao desmatamento será um dos principais desafios para gestores da Amazônia a partir de 2011. O governo brasileiro anunciou no início de dezembro a segunda queda recorde anual consecutiva na devastação da Amazônia, que apresentou em 2010, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), seu menor índice desde 1988. A área devastada foi de 6.451 km², pouco maior que o tamanho do Distrito Federal, em Brasília.Uma semana depois, o presidente Luis Inácio Lula da Silva comemorou os dados em seu programa “Café com o presidente” e afirmou que o Brasil iria antecipar a promessa feita durante a 15ª Conferência do Clima das Nações Unidas, que ocorreu em Copenhague, na Dinarmarca, no fim de 2009. Na ocasião, o país se comprometeu em reduzir emissões de gases de efeito estufa em 39% e diminuir o desmatamento da Amazônia em 80% até 2020. Apesar de a queda do desmatamento nos municípios com maiores índices de devastação da floresta amazônica ter sido mais acentuada do que a média geral em 2010, segundo dados preliminares do Ministério do Meio Ambiente (MMA), ainda restam dúvidas sobre a maneira pela qual as economias locais poderão substituir, em 2011, a renda proveniente da atividade madeireira.

Números de desmatamento em setembro e outubro divulgados pelo Inpe em 23 de dezembro também evidenciam o crescimento da derrubada em áreas que já constituem novas frentes de preocupação ao governo brasileiro. O investimento em alternativas e fiscalização nessas áreas, que incluem municípios no sul do Amazonas, como Lábrea, Boca do Acre e Manicoré, deverá ser uma das prioridades no combate ao desmatamento em 2011.

O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), organização que faz um levantamento paralelo ao oficial da devastação na região amazônica, também alertou, nos últimos relatórios divulgados em 2010, que aumentou consideravelmente a degradação da floresta amazônica. Diferente das medições de desmatamento, que levam em conta o supressão total da mata, a degradação considera áreas intensamente derrubadas e de crescente preocupação.

Apesar da tendência de queda no desmatamento da Amazônia nos últimos anos, estudo publicado em novembro pelo Imazon projeta um possível aumento da derrubada no futuro, sobretudo se mudanças na legislação ambiental brasileira forem aprovadas, diminuindo as áreas de reserva legal em propriedades rurais. Em um cenário projetado de muito desmatamento, os autores da pesquisa estimaram que a derrubada da Amazônia poderia voltar a atingir seus números mais altos, batendo os 12 mil km² por ano.

Um caminho possível, de acordo com a pesquisa, seria submeter os latifundiários à fiscalização para cumprirem a lei ambiental, enquanto os pequenos poderiam receber estímulo financeiro para conservação na forma de crédito rural subsidiado para projetos de manejo ou pagamentos por serviços ambientais (o produtor rural receber dinheiro para manter a mata em pé).

As dicussões sobre mecanismos de Redd (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação) avançaram durante a 16ª Conferência do Clima das Nações Unidas em Cancún, no México, mas a Câmara dos Deputados, no Brasil, ainda debate o tema, que deverá ocupar papel central em 2011.

FONTE: GLOBO AMAZÔNIA


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